minha lua.

Um suspiro... Uma lágrima que me corre pelo rosto que por mil e uma razões não deveria ter caído. Um arrepio... Um arrepio no peito juntamente com um conjunto de borboletas que faz com que a minha barriga dê voltas e voltas sem eu mesma perceber o porquê. Uma tristeza constante que sinto. Uma força... Aquela com que aperto aquela pulseira, que para muitos, sem significado, mas que para mim reverte tudo aquilo por o que passámos. Um sorriso... Aquele que não consigo arrancar de mim mesma. Baixar a cabeça e pensar... Dou por mim a olhar para o tecto, onde não há nada para ver, mas que para mim, quando penso, se vê e se relembra toda a história que vivemos e aí encontro a razão pela qual consiga sorrir, um sorriso constante que se apoderava de mim. Uma vontade... Uma vontade enorme de dizer o quanto conseguiste ser em tão pouco tempo... Saio de casa sem vontade... O vento passa-me pelo rosto, por entre os cabelos castanhos que me faz fechar os olhos e suspirar. Vou sempre para o mesmo sitio, o meu sitio... Onde existe montes e vales... Árvores enormes que se movem como um baloiço que o vento é. O céu está cinzento, escuro como a solidão. Encontram-se riscos laranjas que fazem avivaçar a noite. Os pássaros passam, parecem livres. Por momentos, invejo-os por a liberdade que têm. Gostava de a ter, sem duvida. A lua começa a aparecer... Como todas as noites que aqui estou. Será que ela me compreende? Está a fazer-se tarde... Começa a anoitecer, fica escuro. Ouve-se ruídos estranhos que fazem temer. Não digo adeus, mas sim, até amanhã, minha amiga Lua. Amanhã cá estarei para que me possas ouvir de novo.*
Ana Figueiredo,26 Dez. '08 ; 20h43

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