minha cadeira de baloiço.

Um forte raio de luz entra pela janela do meu quarto reflectindo-se no espelho. Acordo com a claridade que se sobrepõe na pele dos meus olhos, fazendo com que se abram de novo para a ingorância em que a minha vida se encontra. Desejava não ter que acordar mais e permanecer no sonho que me envolvia nos teus braços e a tua boca saboreava de novo. Um sonho... Uma vida, já ouvi dizer, mas então porque é que quando acordamos permanece aquela solidão constante que se entala no meu quarto, que permanece por entre as cortinas que se encontram por entre a janela que não me deixa ver nada para fora (haverá vida melhor?). São tantas as perguntas sem resposta que se instalam na minha cabeça e que não querem ir embora. O meu jeito de desabafar é sempre o mesmo... Pegar num lápis e escrever... Escrever até que as palavras me falhem. Vou para a entrada de casa, por entre as árvores e ramos do meu jardim e sento-me na cadeira antiga que me faz baloiçar por entre o vento que me passa no rosto e como sempre as minhas pálpebras se fecham. A minha amiga lua? Hoje não vem... Agora tenho a minha própria mente, que é em cá mais confio, que sei que sempre me ouvirá. Dou por terminada esta folha, estas palavras. Levanto-me desta cadeira (levantar-me-ei desta solidão?) com as minhas folhas de textos e textos, cartas e cartas que nunca lhe foram entregues e páro... Páro no tempo e penso: Bastava agora chegares aqui e dizeres "eu amo-te!". Tudo é tão díficil sem ti... Dou pequenos passos por entre as folhas caídas de Outono (será que também cairei para sempre nesta mágoa que me encobre?). Vou levantando-as com os pés e sentindo o som que fazem quando sobreponho os pés sobre elas (Será a sua manifestação de dor? Será que também me posso manifestar a ele, perante a dor que também me faz no peito?). Subo as escadas de madeira que me fazem levar à porta de casa, abro aquela porta castanha que me leva à mesma solidão de sempre. Digo com meias palavras: "Entro sem ti, mas sinto que estás aqui." Permanecerás sempre em cada lágrima que derramarei por este amor que nunca perderei.*
// Ana Figueiredo ; Domingo, 4 de Janeiro de 2009 - 15h02.

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