Guardo-me no meu quarto, encurralo-me nesta escuridão que não me deixa respirar.
Eu já não sou a mesma pessoa desde que te foste embora, posso afirmar que sofro a cada minuto da tua ausência.
Só o meu papel me compreende, me percebe e me dá apoio, quando nele esborrato o meu sofrimento com um simples lápis de carvão.
Na cor do lápis de carvão se encontra a minha vida, o céu sobre ela está acinzentado, está uma completa tempestade debaixo dos meus próprios pés.
A minha vida desmorona-se de cada vez que penso da maneira brusca que te foste embora do meu lado, da minha vida que também era a tua… De quando me apoiavas e me metias a sorrir. Sorrir? Isso já não acontece mais, não mais neste quarto, neste rosto.
Levanto-me com muita calma e suaveza, sinto-me fraca, sem vontade sequer de meter uma migalha de pão à boca.
Separo estas cortinas que se encontram corroídas do tempo que aqui estão e o pó levanta-se por todo este refúgio onde me escondo… Abro esta janela de madeira e espreito por entre os arbustros, espreito, espreito e espreito… E não, tu não voltaste para mim como era de costume.
A minha única luz é a da lua cheia, que esta sim, me acompanha por estas noites amarguradas em que nem em mim sei se posso confiar… Tenho sinceramente um certo receio de todas as minhas atitudes quando me encontro só.
Volto a fechar a janela, estas cortinas e sento-me no chão, onde o único barulho que se ouve, são os corroídos que este faz de tão velho que é.
As lágrimas escorrem-me pelo rosto, as minhas pontas do cabelo começam a ficar húmidas.
E eu só consigo ter na minha cabeça uma questão : Quando voltarás?
Volto-me a deitar sobre esta cama de cor meia amarelada e choro até a minha almofada ficar húmida, cheia de lágrimas...
Eu realmente não estou sozinha... Neste refugio estou eu e o meu sofrimento.
Aqui esperarei por ti.
Sem comentários:
Enviar um comentário